
Tesouro Direto ou CDB: essa é, provavelmente, a primeira dúvida de quem começa a investir em renda fixa. Os dois são conservadores. Os dois pagam bem com a Selic a 14% ao ano. Mas eles não são iguais — e escolher errado pode custar rentabilidade real ao longo dos anos.
Neste post, você vai simular passo a passo como cada um se comporta, e vai sair daqui sabendo exatamente qual usar em cada situação.
Tesouro Direto ou CDB: as diferenças que realmente importam
Antes do simulador, vale entender a base. O Tesouro Direto é emitido pelo Governo Federal. Já o CDB é emitido por bancos privados. Essa diferença de emissor muda tudo: risco, garantia e, muitas vezes, a rentabilidade oferecida.
| Critério | Tesouro Direto (Selic) | CDB |
|---|---|---|
| Emissor | Governo Federal | Bancos privados |
| Garantia | Tesouro Nacional | FGC até R$ 250 mil por CPF/instituição |
| Rentabilidade típica | ~13,9% a.a. (CDI) | 90% a 115%+ do CDI, conforme o banco |
| Liquidez | Diária (D+1) | Varia — de diária a vencimento |
| Risco | Praticamente nulo | Depende da saúde do banco emissor |
Por isso, a pergunta certa não é “qual é melhor” — e sim “qual serve melhor ao meu objetivo agora”.
Simulador passo a passo: Tesouro Selic vs. CDB 100% do CDI
Vamos simular R$ 10.000 aplicados por 12 meses, comparando as duas opções mais comuns para quem está começando.
Passo 1 — Defina a taxa de cada aplicação. Tesouro Selic paga cerca de 13,9% ao ano. Um CDB a 100% do CDI paga, na prática, o mesmo — já que o CDI é a referência usada pelo próprio banco.
Passo 2 — Calcule o rendimento bruto. R$ 10.000 × 13,9% ≈ R$ 1.390 em 12 meses, nos dois casos, antes do imposto.
Passo 3 — Aplique a tabela regressiva do Imposto de Renda. Em 12 meses, a alíquota é de 20%. Portanto, o rendimento líquido cai para cerca de R$ 1.112 nos dois casos.
Passo 4 — Compare o resultado final. Neste exemplo, o resultado é praticamente idêntico. Ou seja, a 100% do CDI, o CDB não traz vantagem nenhuma sobre o Tesouro Selic — e ainda concentra risco em um único banco.
Simulador passo a passo: quando o CDB vale mais a pena
A conta muda, porém, quando o CDB paga mais que 100% do CDI. Veja o mesmo exemplo com um CDB a 115% do CDI, de um banco médio.
Passo 1 — Calcule a taxa efetiva. 115% de 13,9% ao ano equivale a aproximadamente 16% ao ano.
Passo 2 — Calcule o rendimento bruto. R$ 10.000 × 16% ≈ R$ 1.600 em 12 meses.
Passo 3 — Aplique o Imposto de Renda. Com a mesma alíquota de 20%, o rendimento líquido fica em torno de R$ 1.280.
Passo 4 — Compare com o Tesouro Selic. Nesse cenário, o CDB rende cerca de R$ 168 a mais que o Tesouro Selic no mesmo período. Contudo, esse ganho extra tem um preço: você está confiando o dinheiro a um único banco, ainda que protegido pelo FGC até o limite de R$ 250 mil.
Quando escolher o Tesouro Direto

Em geral, o Tesouro Selic é a escolha certa para reserva de emergência. Afinal, ele une liquidez diária e o menor risco possível do mercado brasileiro. Além disso, não exige análise de crédito de banco nenhum — a segurança vem direto do governo.
Quando escolher o CDB
Por outro lado, o CDB tende a fazer mais sentido quando três condições aparecem juntas: a taxa oferecida supera 100% do CDI, o valor investido respeita o limite do FGC por instituição, e o dinheiro não precisa de liquidez imediata. Nesse cenário, o CDB de um banco médio costuma superar o Tesouro Direto sem adicionar risco relevante à carteira.
O que muda se a Selic cair nos próximos anos
O Boletim Focus, aliás, já projeta a Selic recuando para cerca de 12% em 2027 e 10,5% em 2028. Ou seja, o cenário de hoje não é permanente. Nesse contexto, vale entender como isso afeta a comparação entre Tesouro Direto e CDB.
Para o Tesouro Selic, a mudança é simples: a rentabilidade acompanha a Selic automaticamente, mês a mês, sem que você precise fazer nada. Já para o CDB pós-fixado atrelado ao CDI, o efeito é parecido — a taxa também cai junto com os juros da economia.
Contudo, existe uma alternativa que se comporta de forma diferente: o CDB prefixado. Nesse caso, a taxa contratada hoje fica travada até o vencimento, independentemente do que acontecer com a Selic depois. Assim sendo, quem acredita na queda projetada pelo Focus pode considerar travar uma taxa prefixada agora, em vez de deixar o dinheiro só no pós-fixado — desde que aceite abrir mão de liquidez em troca dessa previsibilidade.
Simulando para um valor maior: R$ 50.000 por 24 meses

O simulador muda um pouco quando o valor e o prazo aumentam. Por isso, vale repetir o exercício com um investidor que já tem R$ 50.000 disponíveis e um horizonte de dois anos.
Cenário Tesouro Selic. Mantendo a taxa de 13,9% ao ano de forma composta, o rendimento bruto em 24 meses fica em torno de R$ 15.100. Como o prazo passa de 720 dias, a alíquota de Imposto de Renda cai para 15% — a mais baixa da tabela regressiva. Ou seja, o rendimento líquido aproximado fica perto de R$ 12.835.
Cenário CDB a 112% do CDI. Nesse caso, a taxa efetiva sobe para cerca de 15,6% ao ano. Em 24 meses, o rendimento bruto chega perto de R$ 17.400. Com a mesma alíquota de 15%, o valor líquido fica próximo de R$ 14.790.
Comparação final. Nesse prazo mais longo, o CDB a 112% do CDI renderia, aproximadamente, R$ 1.955 a mais que o Tesouro Selic. Entretanto, esse valor extra só compensa se o investidor realmente puder esperar os 24 meses completos — caso contrário, a venda antecipada de um CDB sem liquidez diária pode gerar perdas ou condições bem piores do que as simuladas aqui.
Além disso, vale lembrar que, com R$ 50.000, ainda é possível diversificar entre dois ou três emissores diferentes, mantendo cada fatia dentro do limite de proteção do FGC — o que reduz o risco de concentração sem abrir mão da rentabilidade mais alta.
Erros comuns na hora de comparar Tesouro Direto e CDB
- Comparar só o percentual do CDI, sem olhar o IR. Como vimos no simulador, o imposto muda o resultado final — e ele é igual para os dois produtos na mesma faixa de prazo.
- Ignorar a liquidez do CDB. Alguns títulos só permitem resgate no vencimento. Portanto, vale sempre conferir essa condição antes de investir.
- Concentrar tudo em um único banco. Mesmo com garantia do FGC, diversificar entre emissores reduz o risco da carteira como um todo.
- Esquecer de revisar a taxa quando o CDB vence. Muitos bancos renovam o título automaticamente em condições piores. Por isso, vale sempre comparar a taxa de renovação com o que o mercado está oferecendo naquele momento.
Perguntas frequentes
CDB rende mais que o Tesouro Direto? Depende. Um CDB a 100% do CDI rende, na prática, o mesmo que o Tesouro Selic. Acima disso, o CDB pode render mais — mas exige atenção à saúde do banco emissor.
Qual tem mais liquidez, Tesouro Direto ou CDB? O Tesouro Selic tem liquidez diária garantida por lei. Já a liquidez do CDB varia por título — alguns têm resgate diário, outros só no vencimento.
Vale a pena diversificar entre Tesouro Direto e CDB? Sim. Combinar os dois é uma estratégia comum: Tesouro Selic para a reserva de emergência, e CDBs de bancos diferentes para parte da carteira de médio prazo, sempre respeitando o limite do FGC.
CDB de banco pequeno é mais arriscado que CDB de banco grande? Em geral, sim — bancos menores costumam pagar taxas mais altas justamente para compensar o risco de crédito percebido como maior. Ainda assim, dentro do limite do FGC, o investidor está protegido mesmo se o banco quebrar.
Faz diferença comprar o CDB direto no banco ou por uma corretora? Pode fazer, sim. Corretoras costumam oferecer acesso a CDBs de bancos médios com taxas mais competitivas do que as praticadas no balcão do próprio banco onde você tem conta. Por isso, vale comparar as duas pontas antes de decidir onde investir.
Leia também
Para simular a rentabilidade exata de cada CDB disponível hoje, consulte o simulador oficial do Tesouro Direto e compare com as ofertas do seu banco.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter educativo e informativo. As taxas citadas têm data de referência (agosto de 2026) e podem mudar. Nada aqui constitui recomendação de investimento personalizada — antes de investir, avalie seu perfil e, se necessário, consulte um profissional certificado.
